LIVRO PAPALAGUI PDF

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Author:Mobei Maurisar
Country:Oman
Language:English (Spanish)
Genre:Automotive
Published (Last):22 August 2018
Pages:367
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ISBN:174-3-98104-195-3
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Se, contudo, sem que ele o saiba e, decerto, contra a sua vontade, comunicaremos ao mundo europeu que l as falas deste nativo, porque estamos convencidos de que para ns, brancos instrudos, pode ser til conhecer a forma como nos v, a ns e a nossa cultura, um indivduo estreitamente ligado natureza.

Com os olhos dele ficamos sabendo como ns mesmos somos, de um ponto de vista que nos impossvel assumir. Podemos, principalmente os fanticos da civilizao, achar que ingnua a maneira como ele pensa; talvez pueril, ou mesmo tola. Mas aqueles que forem sensatos e humildes tero, ao refletir, de concordar com muito do que diz. Tuivii; e tero de auto-criticar-se porque a sua sabedoria no provem da erudio mas da simplicidade que divina.

Estas falas representam, por si, nada mais nada menos do que um apelo a todos os povos primitivos dos mares do Sul para que se libertem dos povos civilizados da Europa. Tuivii, que despreza esta ltima, viveu na mais profunda certeza de que os seus antepassados indgenas haviam cometido o maior dos erros quando acolheram amvelmente as luzes da Europa. Tal qual aquela virgem de Fagasa que, do alto de um rochedo, repeliu com o leque o primeiro missionrio branco, dizendo: "Vai, demnio malfazejo", tambm ele viu na Europa o demnio sombrio, o princpio que destri, aquele do qual deve fugir quem quiser conservar-se puro.

Quando o conheci, Tuivii vivia pacatamente, segregado do mundo europeu, na pequena e longnqua ilha de Upolu, que faz parte do arquiplago de Samoa, na aldeia de Tiava, da qual era senhor e chefe mais importante. A voz, em contraste, era suave, branda, quase feminina. Os olhos grandes, profundos, sombreados por espessas sobrancelhas, tinham algo de fantstico, fixo. Mas, quando de repente falava, mostravam-se calorosos, revelando disposio clara e benvola.

Nada havia, quanto ao mais, que distinguisse Tuivii dos outros nativos. Bebia a sua Kava bebida popular samoana, feita com as razes do arbusto chamado Kava ; pela manh e noite, ia ao loto servio religioso , comia bananas, taro e inhame, observava todos os usos e costumes de sua terra. Eram s os mais ntimos que sabiam quanto incessantemente seu esprito fervilhava, busca de esclarecimento, nos momentos em que, como se sonhasse, os olhos semicerrados, ficava deitado na grande esteira que tinha em casa.

Ao passo que os indgenas, em geral, viviam tal qual crianas, apenas e exclusivamente no reino dos sentidos, totalmente e s no presente, sem perqirir coisa alguma de si mesmos, nem do ambiente mais prximo ou mais distante, Tuivii era de natureza excepcional, pois excedia de muito os seus semelhantes: isto , tinha conscincia, essa fora ntima que nos distingue, mais do que qualquer coisa, de todos os povos primitivos. Talvez fosse desta singularidade que se originara o seu desejo de conhecer a Europa longnqua; aspirao ardente que j sentia quando ainda freqentava a escola dos missionrios maristas mas que s realizou quando adulto.

Juntando-se a um grupo teatral popular que viajava pelo continente, visitou, faminto de experincia, sucessivamente todos os pases europeus, ganhando, assim, um conhecimento exato das respectivas caractersticas e culturas. Mais de uma vez me espantou a preciso com que estes conhecimentos atingiam mincias aparentemente insignificantes.

Tuivii possua, no mais alto grau, o dom da imparcialidade que marca a observao acurada. Nada havia que o ofuscasse, palavra alguma que o desviasse de uma verdade. Ele via, por assim dizer, a coisa em si, se bem que jamais se arredasse do seu prprio ponto de vista, por mais que refletisse.

Embora eu tenha vivido mais de um ano muito prximo a ele eu era membro da sua comunidade , Tuivii s se abriu comigo quando nos tornamos amigos, depois que ele havia de todo superado, ou mesmo esquecido, o europeu em mim; depois que se convenceu de que eu amadurecera para a singeleza da sua sabedoria e de que dela no zombaria de maneira alguma o que jamais fiz.

Foi s ento que me permitiu escutar trechos dos seus apontamentos. Leu-os para mim sem paixo, sem esforo oratrio, como se aquilo que tinha para dizer fosse, por assim dizer, histrico; mas foi precisamente pela forma com que falava que tanto mais ntida e claramente me impressionou o que disse e me despertou o desejo de registrar o que ouvira. Foi s muito mais tarde que Tuivii me entregou os seus apontamentos e me permitiu traduzi-los para o alemo. Segundo pretendia, a traduo devia servir, unicamente, para fins de comentrios de minha parte, jamais seria um fim em si mesma.

Todas estas falas so esboos, nenhuma est concluda; nem Tuivii jamais as considerou de outra forma. Depois da completa ordenao da matria em sua mente, depois de reduzi-la clareza derradeira que tencionava iniciar o seu "trabalho missionrio", conforme chamava, na Polinsia. Tive de deixar a Oceania antes que ele partisse nesta viagem. Por mais que haja ambicionado permanecer fiel ao mximo ao original, sem me permitir interferir em absoluto na ordenao da matria, tenho, no entanto, conscincia do quanto me escapou da natureza intuitiva de sua fala, do sopro de sua intensidade.

Ho de me perdoar de bom grado aqueles que sabem quanto difcil traduzir para o alemo uma lngua primitiva, ou exprimir o que nela soa pueril sem dar impresso de banalidade ou insipidez. Todas as conquistas culturais europias so engano paraTuivii.

Isso poderia parecer arrogncia, se tudo no fosse exposto com simplicidade maravilhosa, se no revelasse humildade. Sim, ele adverte aos seus compatriotas que se libertem do fascnio do Branco, mas o faz com melancolia, mostrando que o seu zelo missionrio emana do amor humano e no do dio. Tuivii v as coisas e os fenmenos da vida com a honestidade e o amor verdade de uma criana; esbarra em contradies, descobre deficincias morais profundas e, enumerando-as, recordando-as, transforma-as em experincia.

Ele no consegue reconhecer em que reside o alto valor da cultura europia, se ela aliena o homem de si mesmo, o torna inautntico, mais o desnatura, o piora. Ao enumerar nossas conquistas e comear, por assim dizer, pela epiderme, pela exterioridade, designando-as de modo absolutamente no-europeu e desapiedado, sem nenhum respeito, Tuivii nos revela o espetculo, embora limitado, de ns mesmos; espetculo ante o qual no sabemos se do autor ou do seu objetivo que devemos rir.

A meu ver, reside nesta franqueza pueril, nesta falta de respeito o valor que tm para ns, europeus, as falas de Tuivii e a razo para que sejam publicadas. A Guerra Mundial fez-nos cpticos em relao a ns mesmos; comeamos ns tambm a questionar as coisas no seu verdadeiro contedo; comeamos a duvidar de que sejamos capazes de realizar o ideal que temos de ns mesmos dentro de nossa cultura.

Da por que no nos devemos julgar demasiado eruditos. Desamos, por uma vez, das alturas de nosso esprito at a maneira singela de pensar e ver deste homem dos mares do Sul que, ainda livre do fardo da instruo e ainda primitivo no modo de sentir e de pensar, nos ajuda a descobrir em que ns perdemos o sentido sagrado do homem, criando, em compensao, dolos sem vida.

Queria ele dizer que s se devia considerar aquelas partes em que reside o esprito, com todos os pensamentos, bons e maus: a cabea. A cabea, sim, e se necessrio tambm as mos, o Branco permite que fiquem descobertas, embora a cabea e a mo no sejam mais do que carne e osso.

Aquele que, quanto ao mais, deixa que se lhe veja a carne no pode pretender verdadeira moralidade. Quando faz de uma moa sua esposa, nunca o rapaz sabe se foi enganado, porque jamais lhe viu, at ento, o corpo 1.

A moa, por mais bela que seja, tanto quanto a mais bela taopu 2 de Samoa, cobre o corpo para que ningum o veja, nem tenha prazer em v-lo. A carne um pecado, segundo diz o Papalagui, porque o seu esprito grande, o que ele pensa. O brao que se ergue, luz do sol, para atirar, flecha do pecado; o peito, sobre o qual palpitam as ondas do respirar, habitao do pecado; os membros com que a moa convida para a siva 3 so pecadores.

E tambm os membros que se tocam para fazer seres humanos, alegrando a vasta terra, so pecaminosos. Tudo que carne pecado. Um veneno existe em todos os tendes, malicioso, que salta de um homem para outro. O espetculo da carne, por si s, suficiente para envenenar quem a contempla, intoxic-lo, corromp-lo e tornlo to abjeto quanto aquele que se deixa ver.

Escutai, irmos mais sensatos das muitas ilhas, que fardo um Papalagui carrega no seu corpo. Em primeiro lugar, envolve-o numa delgada pele branca, feita de fibras de certa planta, a chamada pele superior, que se atira para o alto e se enfia de cima para baixo, pela cabea, peito e braos at as coxas. Por sobre as pernas e coxas at o umbigo, puxada de baixo para cima, vem a chamada pele de baixo. As duas peles so cobertas por uma terceira, mais grossa, tecida com os pelos de certo animal quadrpede, lanoso, criado especialmente para este fim.

As trs partes prendem-se entre si por meio de conchas 4 e tiras, feitas com a seiva ressecada da borracha, de tal forma que do a impresso de ser uma pea s. Esta tanga quase sempre cinzenta como a lagoa quando chove, nunca realmente colorida; quando muito, a pea do meio, e s para aqueles homens que gostam de dar o que falar e de sempre andar atrs das mulheres.

Por fim, os ps ganham uma pele macia e outra muito dura. A pele macia, na maior parte das vezes, pode-se esticar e ajustar bem ao p, ao passo que a outra quanto mais dura, menos se ajusta. Com isso o Papalagui fabrica uma espcie de canoa de bordas altas, justo o suficiente para nele caber um p; uma canoa para o p direito, uma canoa para o p esquerdo.

Estas canoas so amarradas, so atadas, ao tornozelo de maneira que os ps ficam dentro de um estojo rgido, tal qual o corpo do caracol. O Papalagui usa-o do nascer ao pr do sol, sai nele para viajar e com ele dana; mesmo que esteja quente como aps a chuva tropical. Como isso muito contrrio natureza conforme at o Branco percebe , como os ps ficam como se estivessem mortos e comeam a cheirar mal, como, de fato, quase todos os ps europeus j no conseguem agarrar nem trepar numa palmeira, por tudo isso o Papalagui tenta esconder a sua tolice, cobrindo com muita lama a pele do bicho, que vermelha por natureza, dandolhe, custa de muita esfregao, um brilho tal que os olhos no suportam o ofuscamento e tm de desviar-se.

Viveu, em certo tempo, na Europa um Papalagui que ficou clebre e que muitos homens vinham procurar porque lhes dizia: "No bom que useis peles tos estreitas e pesadas nos ps; andai descalos sob o cu enquanto o orvalho da noite cobre a relva; assim vos curareis de todas as doenas". Muito sadio era este homem, e ajuizado, mas riram-se dele e no tardaram a esquec-lo. As mulheres, alis, tal qual os homens, usam muitas esteiras e tangas, enroladas no tronco e nas coxas.

Sua pele se mostra sempre coberta de cicatrizes e esfoladuras devido aos cordes. Os seios ficam flcidos, sem leite, por causa de uma esteira que os aperta e vai do pescoo at o ventre e se amarra na frente e tambm nas costas; esteira que se enrijece com espinhas de peixe, arame e fios. Nem o leite delas mesmas que do, mas o de animais vermelhos, feios, chifrados, dos quais o arrancam com violncia pelas quatro tetas que tm em baixo.

Alis, as tangas das mulheres e das moas so mais finas que as dos homens, e tambm podem ser de cor, muito luzidias. Em todo caso, convm que as moas se cubram muito e se diz com benevolncia, ento, que so pudicas, o que significa: observam os mandamentos da boa moral. Da que nunca entendi por que, nos fonos 5 nos banquetes, as mulheres e moas deixam que se lhes veja a carne do pescoo e das costas, sem da resultar vergonha.

Mas talvez esteja nisso a graa da solenidade: que a se permite aquilo que no se permite todos os dias. S os homens tm o pescoo e as costas sempre muito cobertos. Do pescoo ao mamilo, o lii, isto , o chefe, usa um pedao de tanga tratado a cal, do tamanho de uma folha de taro, por cima da qual, enrolado no pescoo, descansa um aro mais alto, tambm branco e tambm tratado a cal.

Atravs deste aro ele passa um pedao de tanga colorida, fixa-lhe um prego de ouro ou uma conta de vidro, tudo pendente do peitoral.

Muitos Papalaguis tambm usam aros tratados a cal no punho; nunca, porm, nos tornozelos. Este peitoral branco, como os aros brancos de cal, tem muita importncia. Jamais um Papalagui fica sem estes adornos na presena de uma mulher.

Pior ainda se o aro de cal enegrece, fica sem brilho; e por isto que muitos liis importantes mudam todos os dias os peitorais e os aros de cal. Enquanto as mulheres tm, para as festas, muitas esteiras de cor, com as quais enchem uns bas em p e ocupam muitos de seus pensamentos para saber que tanga gostariam de usar hoje ou amanh, se pode ser curta ou comprida; enquanto elas falam com muito interesse nos adornos com os quais fix-los, os homens quase sempre tm um s traje para festas, do qual quase nunca falam.

Quando se usa esta roupa de festa, tambm as mos levam peles brancas; peles em cada dedo, to estreitas que o sangue arde e corre para o corao. Por isto se permite que os homens sensatos apenas segurem estas peles nas mos, ou as coloquem na tanga abaixo dos mamilos. Assim que saem da cabana para a rua, o homem e a mulher envolvem-se noutra tanga mais larga, grossa ou fina conforme o sol brilhe mais ou menos.

Cobrem, ento, a cabea, os homens com um vaso preto, rijo, curvo e oco feito o telhado de uma cabana samoana; as mulheres com grandes malhas de vime ou cestos virados para cima, aos quais prendem flores que nunca murcham, penas ornamentais, tiras, contas de vidro, todo tipo de enfeites. Parecem-se com a tuiga 7 da taopu durante a dana de guerra; s que esta muito mais bonita, e s que no cai da cabea durante a tempestade e a dana. Os homens sacodem estas casas que levam na cabea sempre que tm de cumprimentar algum, enquanto as mulheres apenas inclinam para diante a carga que trazem como se fosse uma canoa muito pesada.

S noite, quando vai para a esteira, que o Papalagui tira todas as tangas, mas se enrola, imediatamente, numa outra, uma s, que se abre nos ps e os deixa descobertos. As mulheres e moas quase sempre usam esta roupa de noite, ricamente bordada no pescoo, se bem que pouco se veja. Assim que o Papalagui se deita na esteira, cobre-se, sem mais tardar, at a cabea, com as penas que se originam de uma grande ave e se juntam numa grande tanga para no se soltarem ou se espalharem para todos os lados.

Estas penas fazem o corpo suar e fazem o Papalagui pensar que est deitado ao sol, mesmo que este no brilhe, porque ao prprio sol o Papalagui no d muita ateno. Compreende-se, portanto, que o corpo do Papalagui seja branco e plido, sem a cor da alegria.

Mas assim que o Branco quer. At as mulheres, principalmente s donzelas, precupam-se muito em proteger a pele, evitando que se exponha luz plena; quando saem para o sol, colocam-se embaixo de um grande teto, como se a cor lvida da lua valesse mais que a cor do sol. O seu prprio nariz, pontudo como o dente do tubaro, para ele bonito, ao passo que o nosso, sempre redondo e mole, ele acha feio e disforme, quando ns pensamos exatamente ao contrrio.

Noite e dia, pensam nisso, falam constantemente nas formas do corpo das mulheres e moas, como se fosse grande pecado aquilo que natural e bonito, s devendo ocorrer na maior escurido. Se eles deixassem ver a carne vontade, poderiam pensar em outras coisas; e os olhos no revirariam nem a boca diria palavras impudicas quando encontrassem uma moa.

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